segunda-feira, 28 de julho de 2008

A MORTE NÃO FALHA NUNCA, MEU JOVEM!

Aguardamos em infinitas filas:

· Para ser assistido com descaso por um atendimento hospitalar público vergonhoso;
· Para ser humilhado em pequenas empresas empregatícias por subalternos despreparados;
· Para receber penosas aposentadorias e demais benefícios gerados por invalides e/ou derivados;
· Para pagar impostos, tributos, contas e mais contas;
· E mais ridículo ainda, para esperar por um transporte público de péssima qualidade...

Enfim, filas denotadas por uma falsa esperança. Além disso tudo, somos confortados por uma camuflada complacência pela volta de um deus que nem existe!

A única coisa em que se pode aguardar é...

A Morte.

Essa não falha NUNCA.

Mais Tiras Podrex

A Tira foca um cara porra-loca muito lesado, o Roberto Planta. Inspirado em minhas boas amizades. Simpatizantes do álcool, tabaco, roquemrow, alucinógenos, mulheres e outros prazeres lindos, desta vida mundana. O nome desta pitoresca personagem veio da tradução onírica do nome do vocalista da banda Led Zeppelin. As onomatopéias surgiram por influência da banda “Arroz Integral”. Trabalho do cartunista mineiro Cleuber, que admiro muito.

Aê Cleuber, espero que a banda tenha realizado grandes shows quiméricos e que também tenha obtido um fã-clube Lado B, fiel!

domingo, 15 de junho de 2008

Outras Tiras Podrex

Estas duas tiras pertencem a série “Mineiros do Arrudas” e foram publicadas na mini-revista “Tiras & Cartoons”, 2005.

A Tira “Mineiros do Arrudas” são tirinhas que satirizam situações cômicas do cotidiano e de domínio público, com singela ênfase em ditados populares, buscando um resgate da linguagem coloquial da região.

* A Tira 001. tem referências da lendária “Chiclete com Banana”.

A Tira “Estórias de JC” relata sobre coisas não tão loucas ou absurdas mas, que voam? É uma trinca de tirinhas esboçadas a partir de piadas de domínio público. Apenas estas duas foram publicadas na mini-revista “Tiras & Cartoons”, 2005.

* O Super-Mercado foi inspirado no trabalho do cartunista e colega de traço, João Marcos. Abraços do Podrera.

Tiras & Cartoons - HQ PORRA LOCA

A mini-revistinha intitulada como “Tiras & Cartoons” é a 1ª coletânea de tiras de vários personagens do Podrera, criados e produzidos ao longo de cinco anos. As situações retratam o dia-a-dia urbano da sociedade, com pitadas de ironia. Os personagens são figuras cômicas que sempre dão o ar de sua graça e o tom satírico na dosagem certa. Algumas tiras foram publicadas em jornais comunitários, estudantis, zines e sites. Outras, divulgadas em exposições e também de forma alternativa, fixadas em locais públicos e interiores de coletivos urbanos. Daí a origem da expressão: Invasão Bárbara Cartuniana. Por Léo (CCBH).

A publicação é independente através do selo/editora-artesanal: “Zine Oitava Arte”, fanzine produzido e editado pelo próprio autor entre os anos de 2003 e 2004.

A coletânea possui formato de um “mini talão de cheques”, tamanho 65x140cm, capa colorida em papel cuchê, miolo p&b - 24 páginas. 1ª edição com tiragem de 100 exemplares. Artigo esgotado.
;(ATELIER PODREX

sexta-feira, 13 de junho de 2008

SPEECH in construction



Trecho de SPEECH – Parte 02

Anônimo

Estava em casa numa noite de sábado assistindo TV. Gosto da TV. Principalmente quando ela está desligada. Não gosto é da programação pública oferecida. Detesto programas televisivos. Sentado e sem muitas opções de canais alegres e sinceros, ali estava sendo sucumbido por notícias do país e de todo sistema solar. Resumos forjados, esportes de merda, matérias das mais variadas sobre militarismo; como o poder bélico que os paises “desenvolvidos” detêm e são usufruídos sob uma estética psicológica do medo encima dos países de 3º mundo; desfiles e mais desfiles de “autoridades” religiosas: babacas papais; autarquias governamentais falidas; miséria global, índices de desemprego que assolam e assombram nações; a falta de moradia, saúde e educação; fome e desnutrição... Etc. & etc. Depois de ter engolido todo o lixo-televisivo, precisava de algo concreto para sobreviver. No intervalo daqueles comerciais lisérgicos que ditam moda: “Compre isso para se tornar Aquilo” ou “Compre aquilo para se tornar Isso”, aproveitei e fui até a cozinha para forrar o estômago. Abri a geladeira, nada. Apenas uma pizza barata. Daquelas mais vagabundas. Peguei-a, olhei com um olhar clínico de gourmet. A data de validade estava borrada. Naquela altura, nada disso importava. Continuei com minha biopsia literária. Analisei cada linha contida nas instruções, para se obter um bom resultado daquela dádiva culinária. Após dissecar linha por linha, conclui que, era mais tranqüilo do quê ler bulas de remédios. Prontifiquei-me a assá-la, liguei o forno. Enquanto o forno aquecia, senti falta de uma companhia para o esplendoroso jantar. Uma bebidinha, não seria nada mau. Havia litros e mais litros... D’água, armazenados em garrafas pet e Todos aconchegados exatamente e maravilhosamente na parte inferior da porta da geladeira. Isso não cairia bem. Poderia causar-me inchaço na barriga. Além de outras atrocidades maléficas. Juntei alguns trocados que achei, não me lembro onde. Não eram suficientes para uma pequena e respeitosa embriagueis. Recorri até o santificado cofrinho. Contei todas as míseras moedas que estavam sendo economizadas com o único e exclusivo propósito insólito de comprar uma passagem, só de ida, para o Caribe ou outro lugar qualquer. Hoje, elas (as moedinhas), e a bebida me transportarão para onde eu quiser. Até mesmo para o Tibet. Somei as gloriosas moedas aos miúdos trocados. Sim! Um valor digno para acabar deitado, seminu, no sofá, até o dia raiar. A maldita pizza já estava exalando teus aromas afrodisíacos. Resolvi ir logo, até um comércio local, e mais próximo. A pizza estaria pronta em poucos minutos. Ao sair do estabelecimento, de posse de magníficas long-necks (as famosas ampolas), um peçonhento andarilho fitou-me nos olhos, mirou-me e disparou suas proféticas palavras:

“ME-CONDUZA-PARA-O-INFERNO!!!”

Antes que eu pudesse dialogar algo, para me defender ou até mesmo, consolá-lo, num piscar de olhos, aquela criatura se esvaiu sorrateiramente, blasfemando para os quatro mundos, sua dor. Estático, estupefato e perplexo com as lindas palavras recitadas pelo andante, pus-me a disposição do encantador destino que me aguardava: Drinks, pizza, e TV. A intrigante frase maravilhava-me, acompanhando-me até meu refúgio. Após todo esse estrondo, me dei conta de duas coisas: 1º não nasci para regras. Todo o esforço em seguir cada detalhe informativo sobre o preparo da guloseima, foi em vão, a pizza se transformou naqueles biscoitões duros e também queimou as beirolas. E segundo, de certa forma, Todos nós, animais, objetos (animados e inanimados) e pizzas, de um jeito ou de outro, somos Todos conduzidos para o inferno.

Belo Horizonte, sexta-feira, 13 de junho de 2008.

A pedidos de Marcos Assis Cárdeo, My Brother

Trecho de SPEECH – Parte 01

Henrique

Caminhava pela Rua dos Tupis, esquina com Paraná, parte suja da cidade. Muita poluição, barulho, proletários carregando seus coxos junto ao peito, vendedores ambulantes, pequenos furtos... Quando me deparei com um antigo amigo. Estava abatido, magro, com olheiras profundas, cabelo ralo e seboso, e ainda lhe restavam alguns dentes quebrados na boca. Nas raras vezes que me encontrei com ele, havia sempre uma nova cicatriz em seu rosto. Por vezes, quando o encontrava na zona boemia da capital, estava bêbado. Sempre com um dos olhos inchado, ou a boca pingando sangue fresco, além de pequenas escoriações pelo franzino corpo, nada muito grave. Crescemos juntos num bairro da Zona Noroeste de Belo Horizonte. Ficamos ali na esquina, recordando nossa infância, parados em frente a um estabelecimento que comercializa fumo de rolo. Uma suposta tabacaria. Por pequenos momentos, ficamos nostálgicos. Revivi em minha memória, os fundos do lote da residência onde ele morava. Isolado da casa, num quartinho mofado, morava seu falecido tio que descascava fumo de rolo encostado em um enorme forno de barro, construído ao lado do quartinho. Até hoje não sei dizer se o Tio era aposentado ou desempregado. Figura calada, quase muda. Quando ele saía, entrávamos naquele misterioso quartinho. Nenhum familiar sabia para onde o Tio ia e pra quê, e nem a que horas retornava. Por isso éramos rápidos em nossas investidas visitas. Meu amigo folheava as revistas de sacanagem, enquanto eu apreciava um acordeom que continha um furo na lona do instrumento. Havia também alguns livros antigos com as páginas bastante amareladas e uma velha máquina de escrever num canto. Não havia muita mobília. Uma cama de solteiro com colchão de palha, uma pequena mesa de madeira carcomida, junto a uma cadeira de metal enferrujada, um ferro de passar roupas que, nas horas vagas era usado como apoio de livros; um velho radinho a pilha e uma caixa de papelão onde o tio dele condicionava os poucos ternos e demais vestias que possuía e também as revistas pornográficas. Num outro canto se encontrava um aparador de chapéus. Parecia-me ser um homem extremamente elegante. Quando não estávamos espionado, brincávamos no quintal. Lembro-me do som incessante da máquina de escrever. Uma verdadeira metralhadora. Nunca encontrei sequer um único texto em nossas aventuras no quartinho. E por ironia, hoje estou escrevendo sobre isso. Despedi-me de meu amigo, num dia qualquer e que poderia ser um dia comum. Só que neste dia foi diferente. Antes de ir, disse-me com ar tristonho e melancólico que sua mãe estava à beira da morte e que não o reconhecia mais, assim como os demais entes, já não tão queridos. E que ele estava prestes a se casar mais uma vez. Tive pena, pelas duas desgraças relatadas. Notei em seu olhar uma luzinha que estava se apagando. Como as que já vi nos olhos de cães de rua que acabam de ser atropelados. Ela diminui, dissipa e se apaga. Quando crianças, dizíamos ser o melhor amigo um do outro. Naquele Ar denso, numa esquina fudida, não tinha nada para dizer a ele. A não ser... lamentar.

Belo Horizonte, sexta-feira, 13 de junho de 2008.

terça-feira, 22 de abril de 2008

...Toc, toc. As duas da matina, quem poderá ser? Toc, toc. Hesito em atender ou... Toc, toc. Maldito inesperado, faz meu coração retardar em gélidas comoções que percorre toda minha espinha dorsal. Toc, toc. INCANSÁVEL INSISTENTE. O QUÊ QUER? Não consigo suportar mais este rogo sombrio e silencioso (pensando com os próprios botões). Um toc, toc atrás de outro to... Toc, toc. LICENCIOSO SEM TINO, NÃO POSSUO NADA QUE LHE POSSA INTERESSAR, VÁ EMBORA! (...) Parou?! Quem seria com tanta imprudência? Poderia ser alguém conciso de ajuda?! Ou talvez, ninguém mesmo. Como ninguém?! Se houve tantos to. Melhor não pronunciar tal murmúrio. Logo agora que se faz sublime momento de privação de ruídos. O silêncio se estabelece. Poderei ir descansar e “dormir”. DORMIR! E se por ventura tal estranheza venha revelar-se novamente enquanto esteja esmorecido. Preciso ficar atento! Vigilante! De guarda noturna. Não posso ser pego de surpresa. Claro que outros fenômenos acústicos, ritmados, irão acontecer. Propagação de ondas sonoras produzidas por corpos que vibram em meio imaterial, irreal. Sensações auditivas criadas... pela mente? Não. (sorrindo maliciosamente para si mesmo). Olho para o relógio (sono). Ele marca (bocejo) quatro e quinze da manhã. O relógio, o relógio... (Adormeceu). Tic, tac, tic, tac, tic, tac, Toc, toc. O QUÊ?! NÃO PODE SER?! Toc, toc. JÁ DISSE PARA PARAAAAAR!!! Parou. Deixei-me distrair e fui surpreendido pelo Visitante. Da próxima eu abro a porta e quem irá se surpreender será ele. Vamos Visitante, faça o que sabes fazer melhor (pensativo). Estou esperando (apreensivo). Vamos, não tenho mais a noite toda como antes há tinha (impaciente). Cinco horas e ouço os pardais resmungarem suas rezas sofridas. As seis o dia já se faz presente, mas encontro-me em penumbra. Sinto-me em funesta claustrofobia. Sinto cheiro de terra molhada. Tento abrir a porta mas, encontra-se cerrada. Por fora!? Não há maçaneta e nem mesmo fechaduras ou chaves (desespero). Suspeito de alguma traquinagem exercida pelas hábeis mãos do Visitante. Neste lapso, uma dor terrível toma conta de minha nuca. Por todo meu estupefato corpo derrama uma glacial sensação de leveza. Só tenho espaço para gestos apertados... Toc, toc.

quinta-feira, 13 de março de 2008

AAAAH!!! MEUS SUPERERÓIS EXISTEM!!

Os meus heróis? Aããh, meus Supereróis... Busco-os nas criaturas mais sórdidas possíveis: os MENDIGOS que repousam suas carcaças mofadas sob a latrina ao relento, a espreitar o linear afã dos alienados; as PROSTITUTAS e seus meretrícios de horas pragmáticas, contextualizadas por cafetões enrustidos; os TRAVESTIS, esses amaldiçoados anjos de dois sexos, Adão & Eva num mesmo corpo possuído, um alusivo xifópago hermafrodita; os ALCOÓLATRAS que depositam um gesto mudo em suas doses de bebida barata; e os DEUSES DA LOUCURA: esquizofrênicos, psicopatas, dementes que arquitetam e constroem Mundos intocáveis. Como os invejo. Diga-se de passagem, que, em algum dado momento, instantâneo, como num click, frenesi incalculável em um transtorno afetivo bipolar transitório, tive um denominador comum com estes anti-heróis que desfilam do alto de uma enferrujada carruagem de IPVA negado.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

oPiNião aLHeia = liberdade de expressão ?

Sobre: “A Invasão Bárbara Cartuniana”
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Com licença, motorista:
- Posso divulgar meu trabalho?
- É pra vendê bala?
- Não, é pra afetar as mentes vãs.
- ããh, então entra aí, cara.
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TAMBÉM QUERO UMA FATIA DO BOLO, PORRA!!
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Idealizada em outubro de 2004 e realizada em 23 de novembro de 2004.

Esta prática foi exaustivamente exercida durante um ano na capital mineira.

Inicialmente uma resposta contra a vampiresca elite “intelectualizada” que manipula atualmente os veículos do mercado artístico. Transformando a arte em produtos industrializados para serem consumidos apenas por uma pequena parcela localizada nas redundâncias a-culturais de Belo Horizonte.

Quando me inscrevi no Concurso “Balela no Ônibus”, em agosto/2003, não tinha noção dos critérios ou argumentos utilizados pela comissão julgadora para escolher os 12 melhores trabalhos. Sabia que o tema era livre e que havia a opção por três categorias: artes plásticas e visuais (pinturas, fotografias, esculturas - foto, gravuras, graffite, etc) e poesias. Além das regras básicas exigidas no regulamento do concurso, onde cada participante poderia se inscrever com apenas três obras.

Infelizmente ou felizmente não fui classificado e resolvi me inscrever no ano seguinte. Que tolo. Atento ao nível das obras selecionadas (que não sei até onde foram merecidamente colocadas), optei por uma proposta regional e de fácil leitura em meus desenhos. Para que os transeuntes que freqüentam a urbana “galeria-pública-ambulante” absorvessem com simplicidade, todo contexto exposto ao primeiro contato espiritual, do visual exposto. Ao contrário da complexidade abstracionista contida nas telas dos artistas que circulam no interior desses coletivos (salvo raras exceções), e que estão longe da compreensão do populacho.

Após a divulgação do resultado do concurso/2004, tive a impressão de ter participado de um suposto “jogo cultural de cartas MACABRAS”. Sendo assim, resolvi fazer minha própria ARTENOBUZÃO. Daí a origem da expressão: Invasão Bárbara Cartuniana.

Esta interferência gráfica com tiras-panfletárias (material autoral) fixadas principalmente no interior dos coletivos urbanos e linhas metroviárias teve posteriormente a mesma ação em locais públicos de Belo Horizonte, como: postes, centros a-culturais, pseudo-banheiros de botecos copo-sujo, exposições e galerias d'falsarte. Foi uma forma alternativa de invadir espaços do não-domínio público, assim como fez o antigo grupo Três Nós Três, que lacraram portas de galerias, ensacaram monumentos e realizaram várias intervenções urbanas no século passado. Viva Cildo Meireles e sua trupe.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Apenas uma re-flexão ocular

Ao finalizar a leitura de mais um, dos tantos livros (sem necessidades alguma de mencioná-lo*), que ainda pretendo ler e que nunca conseguirei, reflito cancerígeno: nesta redoma de carcarás do monopólio dogmático, os camelôs do catolicismo estão à altura de Judas Iscariotes. De forma pragmaticamente rapineira, comercializam escapulários que traduzem imagens sacras. Acredito que estes crápulas, não estão tão longe da semelhança e do ato de Judas ter vendido Kristo, como objeto supersticioso, por um punhado de moedas que estampam efígies de sectários demagogos.

* “tudo irá a pique, os livros, as críticas dos livros, as críticas das críticas dos livros.” Moravia, Alberto, O Escritor Incômodo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sobre meu passado psicologicamente... Analisado?

Remexendo em algumas coisas velhas e mofadas, me deparo com desenhos arcaicos, expurgados há mais de vinte anos, e que os concebi em minha pré-adolescência, nas antigas sessões de tratamentos psicológicos aos quais fui submetido. Não cheguei a concluir esta minha 1ª pseudo-HQ.

E pelo visto, também nunca irei concluí-la. Um prato cheio nas sedentas mãos, de psicanalistas masturbadores. Aliás, em relação a *última página executada, tudo indica que, nos cinco meses de produção desta “inocente” estória, o circo pegou fogo e todos foram salvos desta sociedade carniceira. Como nos forjados veredictos sem nexo de inquisições amaldiçoadas. Um trágico fim, mas próximo dos andantes sapiens. Chegando a ser, até um pouco visionário, para um estágio precocemente infantil e ainda cândito. Onde, dentre as figuras cômicas que encontro, cito a espécie humana. Um gênero de primata descartável. Tolo e circense.

*ver ilustração 19 deste enredo postada a serguir.
Nestes pouco mais de trinta anos que venho galgando na superfície da Terra, vi e senti de perto uma pequena amostra grátis do cheiro da fome e da miséria humana. Presenciei a um “grande” circo pegar fogo em Belo Horizonte (07/04/1997) e também, através de nossos falhos meios de comunicação, assisti em tempo real, a queima de corpos vivos,


enclausurados num equipamento de transporte que se tornou um crematório coletivo das novas civilizações carioca. Uma tumba urbana. Barbárie. Espetáculo bizarro. Pode até ser. Como um singular lapuz, promulgo nestas linhas invisíveis: “Esta contemporânea esfera flutuante de pigmento azul, na qual habito, voltou a ser primitiva. Provando que a humanidade nunca traiu os instintos de seus saudosos antepassados.”

Já que toquei no assunto dos desenhos, exponho: minha existência patológica foi analisada a fio por nove e longínquos anos (1980/89) de tratamentos psicológicos, no sombrio consultório D’aquela que me diagnosticou com sua implacável metralhadora de perguntas irritantes que definhavam meu intelecto. A psicóloga-musa Doutora Alair atingia-me com rajadas profundas/fumegantes pelo menos, quatro vezes por mês. Cento e sessenta e oito horas. Tempo suficiente que precisava para me recompor das feridas abertas, até a próxima lenta, execução, sumária, semanal.

Certa vez em uma das sessões, indagou-me: o quê você mais gosta de fazer?
Murmurei: rabiscos para exteriorizar meu ínfimo Ser.
Ela retrucou: então, aceite esta matéria fibrosa de origem vegetal e segure firme este bastonete contendo um recheado cartucho de tinta negra.

Naquele precioso episódio, senti-me Rei. Para ser mais preciso, Rei de Copas. O Deserto em branco (a folha-espaço) cedido era meu macroscópico reino de possibilidades, apesar de delimitado. Quase uma década de reinado consecutivo para me haurir em províncias onde não delego nada. Exatamente, Nada. Soberano fui, comigo mesmo a cada zig-zag traçado por minhas hábeis mãos. Sob o olhar atento, a Dra. que psicografava mensagens assinaladas, ditas pelas entidades que se rebelavam perante nós. Formávamos uma profícua dupla. Sem que ela percebesse, percebi sua Real analogia com meu destacado caso em relação a seus outros inferiores pacientes. Ao saginar arquivos pessoais em mosaicos indecifráveis, nossa relação matrimonial seria amputada antes da Cópula Real. Senti por um instante que me haviam emboscado num matadouro de fantásticas personalidades. Precisava agir rápido antes que... Ela d’clamou: seu tempo acabou. E de fato hei de concordar. Nosso tempo acabou. Xeque-mate. Nossa transmissão não foi completada. Perdemos contato. Câmbio... Desligo.

Tempos depois me veio à pergunta: será que minha psicóloga se casou? Ela me parecia ter melindrados problemas afetivos/amorosos. Graves. Gravíssimos. Enquanto – sozinho em meu Divã – não encontro nenhuma resposta para os males aqui diagnosticados. Continuo envolto neste argumento aparentemente válido, mas, na real, não conclusivo e que supõe má-fé por parte de quem o apresenta. Chego a uma conclusão inadmissível como resultado da fórmula farmacêutica sem contra-indicação usada somente para ativar eficazes resultados de natureza psicológica. Em resumo, bebo na fonte de “Sofismos Placebos” para continuar exteriorizando Meus malogrados Renascimentos.

Hoje apenas lamento por nossas desconfortantes consultas terem sido suspensas num momento tão próximo do ápice, por motivos que finjo desconhecer, mas os revelo silenciosamente.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

TÍTULO ATEU ogsib niala

Comi carne de lesma e tomei esperma de barata neste calor
Li um livro de 0.000 páginas que não continha se quer
uma única palavra sã em suas linhas trans-parentes
Enfiei dois dedos no cu para sentir tesão
Cultivo um furúnculo aceso debaixo do braço da mesa
Em minhas rugas oculto carteiras recheadas de dólares, Todas elas surrupiadas em Bangladeste
Recuso-me em aparar a rudimentar unha que brota em minha testa

De pés descalço visto um chapéu
Orelhas que coleciono depositadas numa colcha bancária
Meus dentes sem pavimentação repousam numa florida gengiva carregada com mau hálito
Um ouvido que não funciona direito, ou esquerdo
Pilhas que também não funcionam e servem apenas para poluir Coisas que não sei, também poluem
Calmaria para menos sofrimento
Profissão não definida
Vagabundoleproso, mocidade arrependida
Ladrilho que-brado, sabonete ressecado, Saliva contaminada
Uma língua apedrejada
Moro de favor, mas não sou eu quem paga o aluguel
Minha grana é uma merreca e não cabe no meu bolso
Tento me calar, mas ainda preciso de tempo, horas se possível
Hoje possuo uma filha 2609, e não sei seu nome.

Para 1 amigo.

Só para incomodar, hoje afirmo que sou Tudo! eu disse: TUDO

Em meu mundo fictício posso ser Tudo. Então, como um autista consciente da acusada patologia clínica que assumo, tomo Total liberdade em me fantasiar, ou melhor declarar-me como: um fabuloso cartunista de imagens invisíveis e um grandioso escritor contemporâneo de palavras incolores. BÁÁH!! Que lixo!

Tudo isso, apenas para infernizar os que se incomodam tanto com o ego alheio e que na real, além de não produzirem merda que presta, não conseguem se aceitarem de maneira sadia, sem se deixarem ser possuídos e dominados pelo EU lírico. Afetados num redemoinho de aparências sob a Bolha que insiste incansavelmente em apenas excluir micróbios como EU. Organismos unicelulares do falso contexto que nos envolve. Vetando com isso, uma criação original e a produção em série de autênticos polivalentes. Nesta cidade-curral megalomaníaca repleta de dejetos humanos a-culturados e enraizados, oferecidos avulsos em delicatessem por prostitutas apetitosas de seios fartos e vistosos, alimentar-me-ei de mim mesmo. Será mais interessante à autofagia, apesar de indigesto(a). Hoje me acomodo numa confortável arquibancada a margem dos que se assumem como deuses da nova arte, para delirar de tanto rir destes espetáculos gratuítos da auto-flagelação egocêntrica. Palmas para nossos aspirantes artistas: poetas-onanistas, músicos desenfreados, escritores da auto-promoção, alóctones ilustradores nipônicos e conspira-dores deste psíquico circo ridículo. Aplausos, aplausos (...) BRAVO!!
*Ilustração: releitura sob o traço de Wallace Wood