quarta-feira, 20 de maio de 2009

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Quanto mais conheço os homens, mais admiro os animais. (Alexandre Herculano)

Revirando uns badulaques, encontro a única fotografia que possuo do Ser que me fez companhia – verdadeira – durante um curto período, no ano de 2002. Nesta época não recebia visitas de parentes e nem de colegas ou pessoas que se intitulam como amigas. Dividia o aluguel junto a um rótulo de irmão (termo referido apenas como biológico). E meus pais residiam em outro estado, não havendo possibilidades de vê-los ou contactá-los, pois ostentava um escasso recurso financeiro. O que me impedia de investir em eventuais visitas familiares, através de viagens anuais e/ou esporádicas. A linha telefônica que possuíamos era monopolizada e monitorada pela megera companheira do meu pseudo-irmão. Para suprir gastos a “nossa linha” foi cancelada e para piorar a situação me demitiram no presente momento. Sem grana para a condução, procurava emprego a pé. Em média uma hora e vinte de caminhada até o centro. Isso com passos apertados. Sem um telefone de contato fixo, ficava difícil ter respostas das empresas na qual me inscrevia. Por não ter condições de arcar com as despesas do barracão, o mesmo dito irmão de sangue, além de etiquetar alimentos e por fim, esconder mantimentos... Mais tarde me pôs na rua. Não sei ao certo, mas, acredito que logo depois o Duque (vide foto), também foi posto no olho da rua, por não manter uma digna postura de cão de guarda. Apesar do meu “irmão” ter encontrado e adquirido o fiel amigo do homem, na irônica rua, e de ser um dobermann com a alcunha de ser considerada uma raça violenta, era um cachorro dócil demais pela fama. Não agredia nem uma mosca, muito menos uma formiga. Provavelmente ele foi atropelado. E morto. Após o meu fraterno despejo, fui acolhido por uma pessoa singular, com a qual moro de favor até hoje e agradeço eternamente. Contudo, talvez como no descrito destino do estimado cão, sinto que também estou sendo morto a cada dia que passa, por um sistema que me atropela incessantemente sem chances de me deixar erguer. Posto a margem como um atual desempregado. Deixo registrado aqui, a saudosa recordação que tenho deste simples amigo, quando, ao som do poeta americano Bob Dylan, ressoando na agulha da arcaica vitrolinha, compartilhava junto ao Duque, nossa única refeição diária: dois mini-pãezinhos de sal mergulhados num café, durante os últimos meses de convívio passados, um ao lado do outro, antes da nossa ordem de despejo, ditada pela chancela do falho irmão. Espero que o meu velho companheiro tenha tido sorte igual, ou melhor, do que a minha. Saudades Duquecão! 

[Trilha para leitura: Jokerman, B. Dylan].

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Leituras só para fraudar que a vida vala algo ou não

A própria subsistência grita mais alto que Edward Munch: Terapia para miseráveis é surreal. Oneroso. Atualmente os populachos tendem a abraçarem meia dúzia de linhas Ditadas diariamente e prognosticadas por ordinários horóscocôs. Obrigando-os a se confortarem com uma “felicidade zen espacial”; regras do dia-a-dia obtidas através de consultas de 25cents, por meio duma arcaica comunicação contemporânea: jornalekos populares, ágeis, ao alcance das mãos e dos bolsos de medíocres. Máquinas da mentira, do falso prazer e da informação comprada que vem se tornando pragmaticamente mecanismos rapineiros de mentes vãs. Leituras só para fraudar que a vida vale algo ou então, que não significa verdadeiramente, Nada.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Altruísmo Deletado

"As pessoas que estampam uma felicidade programada,
são os seres mais tristes a pisarem nesta terra encardida."
simplesmente usufruem de uma maquiagem para prosseguir,
nada mais.
.
Arerdop [90021032]

domingo, 21 de dezembro de 2008

Não espere pelo Outro

Não se pode esperar muito de nada e nem de ninguém!... Pessoas, coisas físicas ou bastardamente abstratas, a merda que for. A não ser por um: PLAN! O insight projetado por qualquer figura emblemática que seja, desmorona bem diante de nossos remelentos olhos. “Relações” familiares, “amizades” passageiras, “elos” amorosos, “dogmas” ablativos, “posições” sociais fictícias... Um Statu quo idealizado por falsas verdades. Todos vão ti decepcionar e conseqüentemente ti magoar em algum dado momento. Pode demorar, mas... É inevitável. Esse capricho da natureza humana ocorre na minha, na sua, na vidinha perfeita e banal de cada mísero ser desta esfera. Uma suposta perfeição vital idealizada erroneamente por muitos fracos. Para romper com as algemas dos guetos da autoflagelação, é necessário um estudo minucioso contra o afeto abundante de altruísmo pregado por corporações clericais. Sugiro a prática de um deísmo desmistificador do sentimento do perdão. O perdão apenas burla a imagem de quem magoa. Se você não tem “amigos em quem confiar”, resta-te apenas; os inimigos para desconfiar. Os traidores são os maiores inimigos da raça. Todos somos candidatos a uma traição fatídica. Traidores em primeiro grau: os parentes de sangue e principalmente espirituais, seguidos de “patentes superiores” pertencentes a uma hierarquia capital, governamental ou intelectual. E para finalizar em segunda instancia; estão as grandes paixões, desiludidas. Sejam por amores, ídolos, mestres, deuses de toda estirpe, uma chusma de rótulos criados para carências materiais do coração sensivelmente abastardo. Algumas convivências torram o saco da gente, quando somos obrigados a escutar as mesmas frases programadas por pessoas e pessoas que não nos acrescentam em nada. Dizem serem suas verdadeiras amigas, amantes, parentes queridos, que ti cobram visitas diárias, semanais, mensais, anuais, telefonemas de alô, oi, como vai, dizeres de como está você, a família, esposa e periquitos, marido e cachorro, parabéns atrasados, presentes caros ou lembrancinhas, datas esquecidas de propósito ou não, sendo que elas mesmas não exercem um sincero e único ato mútuo. Exploda com os alicerces de tabus maquinados. Sem querer promover um caos de toda e qualquer ordem, mas, se necessitar, mate! Mate todos inimigos imaginários, qualquer um (a). Por vinganças, autodefesa, ideais, por amor! Para acabar com a dor! Suicide-se por não ter mais o que acrescentar, a dizer, a fazer ou ser acrescentado e vice-versa. Plante uma árvore para desmatar em função de escrever um livro e entulhar o planeta com teu ego materializado. E não se esqueça de fazer pelo menos um filho numa puta qualquer ou com um quiromaníaco qualquer. Para que num futuro próximo, este novo cidadão recém-nascido, morra de câncer causado pelo aquecimento global que você também contribuiu gradativamente para isso. A vida terrena vem me vencendo por dialogar com moribundos da dialética epopéia contemporânea. O pessimismo é necessário quando você está predestinado a uma morte otimista.

Arerdop [80022112]

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Porquê

"...Percebo com total nitidez que o pedantismo é praticado com fervor entre pessoas-outdoors em redutos ásperos e nebulosos. Seria para inflamar um Umbigo já arreganhado e que se complacente como uma Lepra Asquerosa?"

Arerdop [80022120]

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

em consideração ao mestre LOR


*releitura sob trabalho do cientista Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues.
Nota: original (ver) "Os Desmandamentos / Lor", Editora UFMG, 1992 (Coleção Arte e Imagem).

tUdO IgUAl

Quando criança queria ser apenas outro.
E na adolescência, por muitas vezes, não consegui ser eu mesmo.
Hoje olho para o espelho e me vejo como Todos. Refletido na multidão. Anônimos que não se assemelham em Nada!
Seres de uma mesma espécie calcada sobre teus próprios temores.
E destinados ao mesmo fim, por banalidades de uma transitoriedade material, palpada em diferenças pessoais e casuais.

Arerdop [80021172]

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Outdoor Eclesiástico Hum*

A igreja: Shopping da Alienação
A bíblia e a cruz: Produtos de Consumo
A oração: Crédito Fácil
O dízimo: Débito Automático
Jesus: no passado foi usado como bode expiatório, mas hoje se vangloria como Garoto Propaganda
Deus: é puro Marketing

*18/12/2006.

Outdoor Eclesiástico [Dois]*

O paraíso: puro Folclore
Eva: uma garota de programa (local)
Adão: o caseiro do circo (e nas horas de folga, guia turístico)
Deus: o maior e mais safado latifundiário que se tem notícia
O Diabo: um cara trambiqueiro que quer escamotear o latifundiário

*18/12/2006.

Pra machucar de vez os desavisados

Se o auto-candidato “Senhor da Época” elege um dito excluído para adentrar em teu tenebroso “Palácio Sagrado”, este mesmo cão sardento – que outrora vomitava e cuspia sobre os tapetes vermelho do antes, inimigo sectário – reconhecerá concretamente de forma surreal, esta trivialidade (demagogo serpente / templo objeto / feitos palavras), como uma suposta Dívida Trindade. E como numa cilada manjada, o Pré-da-Dor, despercebidamente, permanecerá ejaculando ilusões em tuas presas amaldiçoadas como meros súditos da vaidade.

...o animal, agora de quatro com suas feridas abertas e envenenadas, será escamoteado cegamente por migalhas do imaginário inconsciente, neste paliativo tripé de um circo de mediocridades.

Arerdop [22112008]

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Tá antenado Ezra Pound

Passe Livre, Baby!

"Entre Sem Bater?"

A Pensão


domingo, 21 de setembro de 2008

*SPEECH-Ficção

...Num prostíbulo local em Morro do Kalunga, uma mãe (que tentava complementar a renda familiar com geriátricos entretenimentos sexuais), é degolada friamente por um insatisfeito cliente idoso. Este fato é lembrado por Daví. Um dos filhos da puta, morta.

Nesta data triste, uma chuva fina insistia em perdurar por todo verão, e após quase uma década e meia do brutal crime, Daví se pôs em profunda sofreguidão...

...Anos se passaram, e ele se estabilizou em Katmandu no ano de 2037. Já com 44 anos, se relaciona casualmente com a famosa estudiosa e pesquisadora contemporânea, Betânia de Alcântara Avelar, de 47 anos.

Tal relação acontecera quando a bem sucedida, ilustre e magnífica ilusória Betânia Avelar, soube, através do fático diagnóstico do Dr. Euclides, que sofrera de uma rara enfermidade intestinal e que também lhe restara pouco tempo de vida. Este diagnóstico fez com quê, Betânia saísse de seu confinamento voluntário, para tentar resgatar seus anos de reclusão social com alguma aventura amorosa, e passageira. No caso, Daví, que além da perda da mãe-puta, não havia notícia alguma do paradeiro de seus três irmãos, desaparecidos desde 2020.

Na tarde de uma terça-feira feia, enquanto Daví finalizava a leitura do livro “O Mundo como Vaidade e Repetição” em homenagem póstuma à sua amada e saudosa Betânia, ouviu-se batidas na porta. Ao averiguar, constatou a presença do carteiro.

- Entrega especial para o Sr. Davi. Disse o carteiro.
- Sou eu. Obrigado.

Uma carta misteriosa. Não havia muitos dados e apenas uma assinatura simples no remetente: Elliot.

Na carta, datilografada por uma possível máquina de escrever, trazia uma única linha fria que noticiava a morte do estimado Senhor Enrico. Falecido aos 100 anos.

Daví ficou estupefato! Logo pensou: Como nossa vida é permeada por tamanha solidão? Olhou para a parede onde estava pendurado o retrato de A Canoa sobre o Epte** presenteada pelo sábio Senhor Enrico. Lembrou-se dos ensinamentos do velho, do “Manifesto Comunista”, de “Frankenstein” e de Mary Shelley. E refletiu em como nos transformamos em Monstros do Tempo, costurados pelas amarras do passado.

A partir daquele momento quis ser “O Falastrão de Contus Humanus”. Carregar uma Dor como a de Dostoievski e se deteriorar degustando “Licores Envenenados”.
...Isso sem a companhia de “pássaros Chuí”, mas ainda sim, dividindo a latrina com fétidas baratas de esgoto.

Em suas ébrias andanças, presenciou um recital da Maior Sonetista de todos os tempos e se sentiu como um poeta menor. O que o levou a se afundar mais e mais em frenesis alcoólatras.

Que Deus o livre deste pecado... E o livrou!

Após se endividar com seus vícios, percebeu que estava se afogando num lodo viscoso... Resolveu encarar a vida de frente e dar a famosa "volta por cima". Mudou-se de logradouro e nome. E como um operário padrão, acumulou suadas economias que lhe gerou a possibilidade de financiar e adquirir um imóvel, para poder sobreviver dos aluguéis dos quartos destinados a abrigar desolados assalariados.

Agora, com a alcunha de Senhor Rubens, para comemorar tais superações de sua imunda vidinha transitória, escreve num pedaço de papel de pão:

“De nada adiantou girar a roda gigante, pois continuo por baixo como um verme, esmagado”.

Veste-se com um belo terno preto e uma camisa de seda suíça. Pente-a os cabelos grisalhos, perfuma-se, mira-se no espelho e acende um charuto, saúda a si mesmo com uma taça de vinho barato, dando-se o luxo de adicionar barbitúricos e também uma dose de estriquinina.

*Baseado no livro "Contus Humanus" da filósofa Sylvia Mª Marteleto.

**A Canoa sobre o Epte, oléo sobre tela (Claude Monet, 1890).